sábado, 14 de maio de 2011

Há somente alguns séculos atrás...




Deitada em sua cama, só conseguia pensar nele. Como em todas as noites desde sua partida ela sonhava com seu retorno ao lar. E foi embalada por doces esperanças, que finalmente adormeceu.

No dia seguinte, às primeiras horas da manha, já estava de pé, arrumada e perfumada. Ela podia não saber quando ele regressaria, mas queria estar preparada, linda, como ele merecia que ela estivesse.

E de repente, seu quarto foi invadido pelo som do trote dos cavalos. E o rebuliço daquela gente que, como ela, passava o dia a rezar pela volta de seus entes queridos, sãos e salvos. Junto ao som, também a alegria invadiu o seu peito. Finalmente ele estava ali.
Ela correu porta a fora, esbarrando na amiga no caminho.

- Como estou? Estou bonita?

- Está linda, minha pequena. E radiante. Certamente ele ficará encantado.

- Assim espero – respondeu ela com um enorme sorriso brotando nos lábios.

Desceu as escadas feito louca, tamanha a ansiedade e em frente a larga e pesada porta parou, recuperando a compostura. Abriu e olhou aquelas pessoas que chegavam, procurando algum sinal do seu amado. Não demorou muito reconheceu alguém, o amigo fiel e companheiro de batalhas de seu amado. E correu ao seu encontro:

- Que bom te rever com saúde meu caro. Perdoe-me a indelicadeza, e a falta de paciência, mas estou certa de que entendes. Onde está ele? Porquê não o vejo?

Mas não obteve resposta, apenas um olhar que não conseguia fitar os seus.

- Está começando a me preocupar. Ele esta ferido? Doente? Fala logo, homem. Queres me matar de preocupação?

Enquanto ele erguia seus olhos nublados pela lagrimas que a custo refreava. Enquanto ele se esforçava para fazer sair a voz que teimava ficar presa na garganta, ela começava a compreender. E foi com o coração aos saltos que ouviu:

- Ele morreu, Caroline. Pereceu em campo de batalha. Eu sinto muito.

Suas pernas bambearam, e rápido demais ela perdeu a razão. Gritava alucinada pela dor. E mesmo aquele homem de físico forte, porte grande, acostumado a grandes lutas, precisou se empenhar para segurar aquela mulher cega e desenfreada pela dor daquela tragedia.

- NÃÃÃO!! Isso não é verdade! Porque você esta fazendo isso comigo? Porque está sendo tão cruel? Ele não pode ter morrido. ELE NÂO MORREU!!! Ele não poderia...

E em milésimos de segundo veio a compreensão. Ela nunca mais o teria, nunca mais ouviria sua voz a lhe confortar ou suas risadas enchendo aquela casa. Nunca mais poderia adormecer em seus braços ou lhe dar seu carinho. Nunca mais seria dele, e ela não queria, nunca mais, ser de mais ninguém. E tudo se tornou pesado demais, insuportável demais.
Uma única lágrima escorreu de face até que a escuridão veio. Ela perdeu os sentidos.