
Deitada em sua cama, só conseguia pensar nele. Como em todas as noites desde sua partida ela sonhava com seu retorno ao lar. E foi embalada por doces esperanças, que finalmente adormeceu.
No dia seguinte, às primeiras horas da manha, já estava de pé, arrumada e perfumada. Ela podia não saber quando ele regressaria, mas queria estar preparada, linda, como ele merecia que ela estivesse.
E de repente, seu quarto foi invadido pelo som do trote dos cavalos. E o rebuliço daquela gente que, como ela, passava o dia a rezar pela volta de seus entes queridos, sãos e salvos. Junto ao som, também a alegria invadiu o seu peito. Finalmente ele estava ali.
Ela correu porta a fora, esbarrando na amiga no caminho.
- Como estou? Estou bonita?
- Está linda, minha pequena. E radiante. Certamente ele ficará encantado.
- Assim espero – respondeu ela com um enorme sorriso brotando nos lábios.
Desceu as escadas feito louca, tamanha a ansiedade e em frente a larga e pesada porta parou, recuperando a compostura. Abriu e olhou aquelas pessoas que chegavam, procurando algum sinal do seu amado. Não demorou muito reconheceu alguém, o amigo fiel e companheiro de batalhas de seu amado. E correu ao seu encontro:
- Que bom te rever com saúde meu caro. Perdoe-me a indelicadeza, e a falta de paciência, mas estou certa de que entendes. Onde está ele? Porquê não o vejo?
Mas não obteve resposta, apenas um olhar que não conseguia fitar os seus.
- Está começando a me preocupar. Ele esta ferido? Doente? Fala logo, homem. Queres me matar de preocupação?
Enquanto ele erguia seus olhos nublados pela lagrimas que a custo refreava. Enquanto ele se esforçava para fazer sair a voz que teimava ficar presa na garganta, ela começava a compreender. E foi com o coração aos saltos que ouviu:
- Ele morreu, Caroline. Pereceu em campo de batalha. Eu sinto muito.
Suas pernas bambearam, e rápido demais ela perdeu a razão. Gritava alucinada pela dor. E mesmo aquele homem de físico forte, porte grande, acostumado a grandes lutas, precisou se empenhar para segurar aquela mulher cega e desenfreada pela dor daquela tragedia.
- NÃÃÃO!! Isso não é verdade! Porque você esta fazendo isso comigo? Porque está sendo tão cruel? Ele não pode ter morrido. ELE NÂO MORREU!!! Ele não poderia...
E em milésimos de segundo veio a compreensão. Ela nunca mais o teria, nunca mais ouviria sua voz a lhe confortar ou suas risadas enchendo aquela casa. Nunca mais poderia adormecer em seus braços ou lhe dar seu carinho. Nunca mais seria dele, e ela não queria, nunca mais, ser de mais ninguém. E tudo se tornou pesado demais, insuportável demais.
Uma única lágrima escorreu de face até que a escuridão veio. Ela perdeu os sentidos.
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